Obras industriais no Brasil: perspectivas de futuro

Após período de desaquecimento, setor começa a apresentar os primeiros sinais de recuperação

setor industrial brasileiro em breve receberá 529 novos empreendimentos. O número consta em levantamento realizado pela Rede de Obras, ferramenta de pesquisa da e-Construmarket. De acordo com o estudo, 78 projetos estão em execução – desses, 20 estão no estágio inicial de obras; 31, na fase intermediária; e 27 próximos da conclusão. São Paulo é o estado com a maior quantidade de edificações, com 25. Na sequência, vêm o Rio de Janeiro (7), Mato Grosso do Sul (7), Paraná (6) e Minas Gerais (5).

O levantamento revela também a existência de 456 empreendimentos futuros, a serem realizados nos próximos anos. Desse total, 222 estão na etapa de estudos; 84 em licenciamento; 65 em intenção; 31 em projeto; 17 em negociação; 15 em concorrência; 12 em planejamento; seis em financiamento; e quatro em contratação.

PERSPECTIVAS DE MERCADO

Assim como o mercado da construção civil, o setor industrial vem apresentando grande retração desde 2015. “Como uma economia complexa e diversificada que somos, existem poucos nichos ainda em momento de investimento” Afirma Eduardo Ventura, diretor de Operações da AQCEZ Arquitetura + Engenharia, observando, porém, que têm surgido os primeiros sinais de retomada do crescimento.

Segundo o profissional, 2016 foi um ano de reformas e pequenas ampliações. Já os grandes projetos de novas plantas foram congelados, ou até mesmo cancelados, pelas empresas. “A perspectiva é de aumento gradativo a partir do segundo semestre de 2017, quando o cenário político nacional e internacional estará mais estável”, diz.

A retração do mercado interno e a baixa competitividade dos produtos manufaturados no Brasil, sobretudo se comparados aos chineses, por exemplo, fizeram com que os investimentos em novas obras sofressem forte queda.

Nem todos os setores se comportaram da mesma maneira durante o período de desaquecimento, pois alguns acabaram enfrentando problemas maiores do que os demais. “Os que mais sofreram foram aqueles que têm maior valor agregado. Um claro exemplo disso é o da indústria automobilística, que apresentou alto índice de demissões e queda brusca de vendas”, destaca Ventura.

"A perspectiva é de aumento gradativo a partir do segundo semestre de 2017, quando o cenário político nacional e internacional estará mais estável"
Eduardo Ventura

Sem o retorno financeiro esperado pelas indústrias, não há como pensar em investir em obras de reforma ou ampliações. Esse cenário de estagnação não é resultado somente das dificuldades econômicas do país. “Independentemente da crise, sob o ponto de vista histórico o setor industrial vem sendo fustigado, sobretudo em virtude da falta de incentivos fiscais e carga tributária alta”, expõe o profissional, completando: “A exceção acontece somente nos setores diretamente ligados ao agronegócio e às commodities. Não enxergamos em curto e médio prazo mudanças de perspectiva”.

 

TENDÊNCIAS

A construção civil tende, cada vez mais, a utilizar técnicas que envolvem elementos pré-fabricados, sobretudo devido à modularidade que os projetos têm apresentado. A situação pode ser constatada, principalmente, nas obras industriais. “Alguns avanços foram alcançados, tais como o concreto permeável, que permite atender às legislações relacionadas à permeabilidade da pavimentação. Porém, as maiores evoluções podem estar em sistemas com a tecnologia BIM, que é muito útil do planejamento à gestão de facilities”, comenta Ventura.

Os projetos industriais ambientalmente eficientes estão ficando mais comuns. “A demanda aumentou, pois, além de servirem como marketing para as empresas, em médio e longo prazo eles acabam reduzindo os custos operacionais com a diminuição do consumo de energia e água”, fala o profissional. De fato, o número de obras com a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) está crescendo e já não se restringe aos edifícios corporativos. “Em breve, outros selos verdes também se tornarão mais frequentes”, finaliza.